NOTÍCIAS

 
Livro de actas do congresso de Santiago de Compostela

O livro de atas do XIII IBERCOM, (ISBN: 978-84-695-7564-2) realizado em 2013 na Fac. CC da Comunicación da Universidade de Santiago de Compostela, apresenta comunicações dos DTI’s e Mesas Temáticas no Congresso.

Livro de actas do do XII IBERCOM (Bolívia)

O livro de atas do XII IBERCOM, (ISBN: 978-99905-58-55-5 e ISBN AssIBERCOM: 978-989-97681-1-6) realizado em 2011 na Universidade Privada de Santa Cruz de la Sierra, apresenta as comunicações proferidas na conferência inaugural, nas sessões Plenárias e algumas imagens do Congresso.

 

Livro de actas do congresso da Madeira
apresentado na Bolívia

O livro de actas do XI IBERCOM, realizado em 2009 na Universidade da Madeira, vai ser lançado durante o congresso da Bolívia.

Bodas de Prata IBERCOM
INSCRIÇÕES ABERTAS

Está a ser preparada uma celebração especial para assinalar as bodas de prata Ibercom. Nascido em 1986, em S. Paulo, o ‘movimento’ IBERCOM foi institucionalisado no Porto em 1998 (durante o V congresso), através da criação da AssIBERCOM.

Estão abertas as inscrições para o jantar de aniversário marcado para o 12º Congresso IBERCOM que se realiza em Sta Cruz de la Sierra, de 10 a 12 de Novembro/2011.

Cidade do Porto acolheu
Direcção da CONFIBERCOM
 
Congresso Mundial, S. Paulo, Agosto 2011

 

A Direcção da Confederação Ibero-Americana de Comunicação, fundada no Funchal, em Abril de 2009, fez a sua primeira reunião no Porto, no dia 17 de Julho. A reunião foi presidida por José Marques de Melo e decorreu no Museu Nacional da Imprensa, com os seguintes pontos em agenda: 1. Informações (Informaciones); 2. Colecção de Livros Electrónicos (Colección de Libros Electrónicos); 3. Quotas anuais dos associados (Tasas de anualidades de las filiadas); 4. Congresso Mundial em 2011, no Brasil (Congreso Mundial en 2011 en Brasil); 5. Registo na Secretaria Ibero-americana (Registro en la Secretaria Iberoamericana) ; 6. Acções para a criação de novas entidades e associados (Acciones para crear nuevas entidades y afiliaciones); 7. Apresentação do plano de trabalho de cada directoria (Presentación del plan de trabajo de cada directoria)


O debate mais alargado decorreu à volta do 1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana, cujo tema central será “Ibero-América em tempo de comunicação globalizada”, marcado para S. Paulo, Brasil, em 3-6 de Agosto de 2011.
Este congresso de carácter estratégico, terá como principais interlocutores os representantes das entidades ibero-americanas do campo comunicacional e visa a inventariação e disseminação do conhecimento gerado em cada país, região ou comunidade particular; mapear as tendências das indústrias culturais e criativas visando sua comparação com outras comunidades geopolítico-culturais; fomentar a identidade nacional e fortalecer a diversidade regional do pensamento comunicacional no espaço ibero-americano; e criar mecanismos de cooperação intra-regional, fomentando as identidades culturais, e de intercâmbio internacional, projectando-as na arena mundial.

A reunião contou com a presença dos seguintes directores, além do Presidente da Direcção que liderou o conclave: Francisco Sierra, Vice-Presidente; Elias Machado, Director Administrativo; Luís Humberto Marcos, Director de Relações Institucionais; Luís Albornoz, Director Científico; Moisés Martins, Director Académico; Edgard Rebouças, em representação da Federação Argentina de Carreras de Ciências de la Comunicación (FADECCOS; e Rodrigo Gomez, Director de Relações interdisciplinares. Participaram ainda na reunião, como assistentes: Miguel de Moragas, Presidente da AE-IC; Margarita Ledo, Vice-Presidente da AE-IC, César Bolaño, Presidente da ALAIC, e Pedro Braumann, da SOPCOM.

Os representantes das entidades científicas ibero-americanas presentes tiveram ainda a oportunidade de visitar a exposição permanente (“Memórias Vivas”) do Museu Nacional da Imprensa e a Galeria Internacional do Cartoon.

 

XI Congresso IBERCOM
 
ASSOCIAÇÕES CRIAM CONFEDERAÇÃO
IBERO-AMERICANA DE COMUNICAÇÃO

Os representantes de onze entidades científicas ibero-americanas presentes no XI Congresso IBERCOM, reunidos em assembleia geral, no dia 18, na cidade do Funchal (Madeira, Portugal), aprovaram a fundação da Confederação de Associações Científicas de Comunicação.
Esta entidade tem por objectivo central “a promoção do debate e da produção científica ibero-americana no campo das Ciências da Comunicação, em termos nacionais e internacionais, tendo em vista a importância das línguas oficiais e culturas em que se expressam e relevando os diversos sistemas de informação e comunicação do mundo contemporâneo”.

A primeira directoria, eleita com mandato de dois anos, será presidida pelo professor José Marques de Melo. A directoria está composta por uma executiva com mais sete membros: 1º vice-presidente, Francisco Sierra; 2º Vice-Presidente, Erik Torrico; Director Académico, Moisés Lemos Martins; Director, Elias Machado; Director Científico, Luís Albornoz; Director Institucional, Luís Humberto Marcos; e Director de Relações Interdisciplinares, Rodrigo Gomez. Foi também eleito um Conselho Fiscal composto por três membros: António Gomez, Gustavo Cimadevilla e Tereza Quirós.

Na assembleia de fundação estiveram presentes representantes de entidades científicas da Argentina (FADECCOS), Bolívia, (ABOIC), Brasil (SOCICOM, INTERCOM, ABRAPCORP e COMPOS), Espanha (AE-IC), México (AMIC) e Portugal, (SOPCOM), além de associações internacionais como a AssIBERCOM, ULEPICC, FELAFACS, ALAIC e LUSOCOM.

Na mesma assembleia foi aprovada a “Carta-Programa da Madeira” na qual se estabelecem as prioridades de actuação da entidade, em particular, para os dois primeiros anos de mandato.Ficou ainda decidido que a sede da Confederação ficará na cidade de S. Paulo, Brasil, local onde será feito o registo notarial da entidade pelo presidente e secretário da assembleia fundacional.


Assembleia Fundacional da Confederação Ibero-Americana de Comunicação

 


Assembleia Fundacional da Confederação Ibero-Americana de Comunicação

 


Membros da Direcção eleitos para o primeiro mandato da Confederação

Santa Liberdade no XI Ibercom

XI IBERCOM

Conferência de Imprensa na Sala do Senado, da Universidade da Madeira, no dia 9 de Fevereiro, com as presenças dos Vice-Reitores, Rui Carita e Luísa Paolinelli e do Secretário-Geral da AssIBERCOM, Luís Humberto Marcos


 

 
 

XI IBERCOM
Prazo alargado

Foi prorrogado até 31 de Janeiro o prazo de entrega dos resumos das comunicações a apresentar no Congresso.

X IBERCOM
Ultrapassa expectativas

Apesar do pouco tempo havido entre o IX IBERCOM (Nov. 2006) e o X IBERCOM, o congresso de Guadalajara, realizado no final de Novembro de 2007, ultrapassou as expectativas.
Além dos vários debates e contributos das dezenas de pesquisadores participantes, o X IBERCOM ficou marcado por quatro aspectos: entrada de novos sócios; eleição dos novos corpos sociais da ASSIBERCOM; apresentação de uma estrutura de base de dados multimédia sobre a Comunicação no espaço ibero-americano; e a aprovação da criação de uma confederação.
O X IBERCOM decorreu na Universidade de Guadalajara, (2ª cidade do México) e foi coordenado por Enrique Sanchez Ruiz.




 

 

ASSEMBLEIAS GERAIS
(Novembro 2007 - Guadalajara, México)

Clique nas imagens para visualizar as convocatórias

IX IBERCOM

 O IX IBERCOM (www.ibercom2006.com) decorreu de 15 a 18 de Novembro de 2006, com o apoio da Universidad de Sevilla (Espanha) e a implicação directa da sua “Facultad de Comunicación”.
O tema central foi: “O Espaço Ibero-Americano de Comunicação na Era Digital”., mas muitos outros temas tiveram cabimento nos Grupos de Trabalho, tendo assim tido lugar um profundo debate sobre as principais questões que afectam hoje o campo da Comunicação, em geral, e o Jornalismo, em particular.
Na totalidade, foram recebidas cerca de 230 comunicações de investigadores de Espanha, Portugal e América Latina.

Aquando deste congresso, teve lugar a Assembleia Geral da n/ associação, onde foi proposto pelo colega Enrique Sanchez Ruiz (Univ. Guadalajara) que o X IBERCOM tivesse lugar no próximo ano, na sua Universidade. A proposta foi aceite, por unanimidade, nesta Assembleia Geral.

No âmbito deste congresso, houve, também, lugar para a Sessão de Lançamento do Livro de Actas do VII IBERCOM, que decorreu no Porto, em Novembro de 2002, sob o tema: Profissões da Comunicação: Presente e Futuro.
Nesta publicação pode-se encontrar não só todos os textos dos participantes que os fizeram chegar à Comissão Organizadora, como a composição das diversas comissões que deram forma ao congresso. O prefácio do Prof. Paquete de Oliveira, especialista de firmados créditos e co-fundador da AssIbercom, reforça a qualidade desta obra. Tal como acontece no congresso, o livro apresenta as comunicações nas suas línguas originais, português e castelhano, sem traduções.

Assembleias Gerais Assibercom
(12 Outubro - La Plata, Argentina)

Clique nas imagens para visualizar as convocatórias

Atenção Filatelistas!
VII IBERCOM
Em carimbo de correio

No dia de abertura do congresso, a 16 de Novembro, vai funcionar um “balcão” dos CTT destinado a assinalar filatelicamente o VII Ibercom.
Ao longo do dia, qualquer pessoa poderá recolher o carimbo especialmente produzido para a ocasião, em envelopes do congresso.
Esta iniciativa resulta de um apoio dos CTT à organização do VII IBERCOM e constitui um factor de atracção para os milhares de marcofilatelistas espalhados pelo mundo.

VII IBERCOM
Presidente da República
Preside à Comissão de Honra

O Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, aceitou presidir à Comissão de Honra do VII IBERCOM,  reconhecendo assim a importância do Congresso no quadro das relações entre os diversos países do espaço ibero-americano.

Congresso Ibero-Americano de Comunicação Debate Futuro do Jornalismo

IN Público , Sábado, 16 de Novembro de 2002
Por MIRLA FERREIRA RODRIGUES 

O tema "Presente e Futuro das Profissões de Comunicação" é o ponto de partida para um encontro que entre hoje e segunda-feira reúne no Instituto Superior da Maia cerca de duas centenas de profissionais, especialistas e teóricos das diferentes áreas relacionadas com a comunicação, oriundos de países de expressão ibérica e latino-americana. O objectivo do encontro é lançar a reflexão alargada sobre o perfil das diversas actividades profissionais de comunicação no espaço ibero-americano, o seu impacto social e potencial de inovação no quadro das exigências do século XXI.
"Um tema de grande actualidade, dada a grande crise conjuntural nos sectores de comunicação, designadamente na comunicação social e na profissão de jornalista", considera o presidente do Centro de Formação de Jornalistas (CFJ) e coordenador da comissão organizadora do congresso, Luís Humberto Marcos. Salientando o cada vez maior número de formandos no sector, que concorrem aos milhares de vagas existentes nos cerca de 60 cursos disponíveis no país, o presidente do CFJ atribuiu a elevada procura à grande exposição da profissão jornalística e à sedução que normalmente provoca. "Só em Espanha cada ano há 25 mil pessoas que querem ser jornalistas, acrescido do fenómeno de emergência de novas profissões no campo das redes de comunicação, multimédia e tecnologias da informação que ainda estão à procura de estabilidade", adiantou.

Realizado pela segunda vez na área metropolitana do Porto, a 7ª edição do Congresso Ibero-Americano de Comunicação (IBERCOM) é promovida pelo CFJ e pela AssIBERCOM, uma associação que promove o desenvolvimento das relações internacionais entre profissionais e investigadores da área da comunicação do espaço ibero-americano. Durante o congresso, que marca o início das comemorações dos 20 anos do CFJ, funcionarão vários painéis e mesas-redondas. Jornalismo/Media, Publicidade, Comunicação Organizacional, Multimédia, Profissões Emergentes, Indústria Cultural e, ainda, Investigação da Comunicação são os principais temas em análise no IBERCOM, que contará com as presenças de Mário Mesquita, da Escola Superior de Comunicação Social, António Fidalgo, da Universidade da Beira Interior, Anamaria Fadul, da Universidade Metodista de São Paulo, Eliseo Colón, da Escola de Comunicação Pública do Porto Rico, e Manuel Pinto, da Universidade do Minho, entre outros nomes do ramo comunicacional.

 

 

Rescisões nos "Media" Afectam a Liberdade Informativa e a Memória do Jornalismo

 

In Público, Domingo, 17 de Novembro de 2002

Só por humor negro se pode falar de ética e liberdade informativa quando está em curso, em várias redacções, uma "ofensiva sem precedentes" contra os jornalistas, num esforço de "emagrecimento" que rotula alguns profissionais de "dispensáveis". Para Diana Andringa, membro do Sindicato dos Jornalistas, as administrações das empresas de "media", ao quererem prescindir de jornalistas mais velhos e experientes, põem em risco a memória indispensável ao bom jornalismo: "Convém que nas redacções haja quem ainda saiba quem foi Melo Antunes."

Falando ontem na Maia, no encontro "Presente e Futuro das Profissões de Comunicação", no painel dedicado à "Ética, Deontologia e Liberdade Informativa", Diana Andringa afirmou que "se é anti-ético apontar pessoas como 'dispensáveis', mais anti-ético é usar jovens estudantes em período de contacto com a profissão (vulgo 'estágio académico') para substituir o trabalho de profissionais". A sindicalista recordou que no antigo código de ética francês um dos preceitos era "não ocupar o lugar de um camarada".

"A concentração dos meios e a utilização de trabalho precário funcionam contra a ética e a liberdade informativa. Não há imprensa livre com jornalistas 'a dias'", reforçou Andringa. E acrescentou que, no campo da imprensa, o trabalho a prazo e a precariedade não são apenas questões laborais, mas antes questões de liberdade de imprensa. 

A jornalista afirmou que é difícil ensinar ética nas escolas de comunicação quando os exemplos que os estudantes recebem são essa falta de ética, de insegurança, de necessidade de garantir o emprego.

Diana Andringa realçou também a necessidade de uma discussão ética que abranja as novas formas de jornalismo, como o "on-line", e que pressupõem problemas diferentes dos verificados até agora com os meios tradicionais da imprensa escrita, rádio e televisão.

Mais tarde, na sequência de uma intervenção da assistência, Diana Andringa referiu que foi apresentada uma proposta ao então ministro da Educação, Marçal Grilo - e desde aí a todos os seus sucessores naquela pasta ministerial -para que os jornalistas que entraram na profissão antes da criação das primeiras escolas superiores de jornalismo possam regressar à universidade e aperfeiçoar - ou adquirir novos - os seus conhecimentos. Tal proposta insere-se numa política de formação contínua como a que o Sindicato dos Jornalistas tem vindo a defender há vários anos.

 

Público Deve Exigir dos Jornalistas a Informação Que Lhe Interessa

 

In Público, Segunda-feira, 18 de Novembro de 2002
Por MIRLA FERREIRA RODRIGUES

"Está na altura das preocupações dos jornalistas portugueses passarem a ser as preocupações dos cidadãos e de estes assumirem as suas responsabilidades, dizendo que informação melhor os serve", afirmou anteontem Hália Costa Santos, docente da Escola Superior de Abrantes, na sessão temática de Jornalismo do encontro "Presente e Futuro das Profissões de Comunicação", a decorrer até hoje na Maia. A também antiga jornalista do PÚBLICO defendeu a necessidade de um maior compromisso entre jornalistas e leitores cidadãos.

Na opinião de Hália Costa Santos, a ideia de que são os jornalistas a estabelecer a sua própria agenda tem vindo a desvanecer-se, com as pressões dos poderes políticos e económicos a serem cada vez mais evidentes. "A credibilidade dos jornalistas, construída de alguma forma sobre um certo elitismo, começou a dar lugar, sobretudo nos Estados Unidos, a uma vontade de servir melhor os cidadãos, baseando o jornalismo no conhecimento do povo", declarou.

A oradora definiu o papel dos jornalistas em democracia como uma "ferramenta" atribuída a um grupo específico de cidadãos que a vai usar para os restantes cidadãos e por eles. "Há um procedimento que deve ser comum a todos aqueles que produzem e veiculam informação de uma forma profissional: o respeito pelo protagonista ou pelo visado na notícia e o respeito pelo público que as vai ler, ouvir ou ver. Este respeito deve reflectir-se em bom senso no tratamento da informação e da imagem".

As actuais opções para o alinhamento e edição dos noticiários televisivos portugueses "não são jornalismo público e acabam por não esclarecer os cidadãos com a alternância dos temas abordados" e relembrou a responsabilidade dos jornalistas nesse campo. "É preciso não esquecer que os órgãos de comunicação social só existem para responder a determinados interesses e necessidades dos cidadãos e um dos serviços que o jornalista deveria prestar ao público é o de estabelecer a ordem no caos da informação nos dias de hoje", afirmou Hália Costa Santos, para quem os cidadãos devem participar activamente no processo de informar e ser informado.

Nos últimos anos os cidadãos têm vindo a ser cada vez mais desafiados pela comunicação social para darem a sua opinião, sobretudo em "programas de microfone aberto". Mas essa intervenção ainda será pouca: "Os públicos têm de manifestar interesse por uma informação mais desenvolvida e analisada. Só esse interesse dará força aos jornalistas apostados na sua verdadeira missão, fundamentando o essencial da prática democrática", disse a docente.

Congresso Ibero-americano Recomenda TV Digital Gratuita
  

In Público, Terça-feira, 19 de Novembro de 2002

Fazer televisão digital terrestre de forma aberta e gratuita - e não paga, como está previsto - foi uma das principais recomendações do 7º Congresso Ibero-Americano de Comunicação, que ontem terminou na Maia. "A Televisão Digital é o suporte fundamental para estender a todos os cidadãos os benefícios da sociedade da informação", frisou Luís Humberto Marcos, presidente do Centro de Formação de Jornalistas (CFJ) e um dos coordenadores do encontro.
"A era digital permitirá desenvolver a economia, o emprego e o pluralismo em Portugal, Espanha e América Latina. Torna-se necessário novas políticas culturais de comunicação que garantam a realização dessas possibilidades a nível local e regional, especialmente para construir o espaço ibero-americano, vital para a sobrevivência das nossas identidades culturais", disse. 

Referindo-se à precariedade do emprego nas empresas de comunicação, Luís Humberto Marcos considerou, citando as conclusões do encontro, a concentração dos 'media' como "uma autêntica ameaça à valorização da ética da comunicação" e "uma ameaça ao pluralismo democrático".

A relação entre política e comunicação não foi esquecida, tendo Luís Marcos aludido à época dos retóricos gregos. "Se naqueles tempos o mundo da política ofuscava completamente a comunicação, hoje verifica-se o inverso com a dinâmica dos 'media' a sobrepor-se à política. É nesse contexto que aumenta a responsabilidade ética dos pesquisadores comunicacionais".

VII IBERCOM

Porto (Portugal)
16 - 18 Nov. 2002

CONCLUSÕES


*Abordou-se a precariedade do emprego nas empresas da comunicação em alguns países e considerou-se que a concentração dos media constitui uma ameaça à valorização da ética da comunicação. Neste contexto, o panorama concentracionário pode constituir uma ameaça ao pluralismo democrático.

*No âmbito da comunicação organizacional, abordou-se a existência de vários modelos de actividade profissional, tendo-se considerado necessário produzir mais investigação e organizar cursos de pós-graduação voltados para as exigências da sociedade e do mercado actual.

*Relativamente à relação entre a comunicação e a política, considerou-se que nesta era do ciberespaço se vive um impasse semelhante ao que se registou historicamente com os retóricos gregos. Se naqueles tempos o mundo da política ofuscava completamente a comunicação, hoje verifica-se o inverso com a dinâmica dos media a sobrepor-se à política. É neste contexto que aumenta a responsabilidade ética dos pesquisadores comunicacionais, num momento turvado pela ambiguidade do seu papel histórico.

*Nas abordagens sobre multimedia, novas redes e comunicação audiovisual, a internet teve um papel dominante. As transformações do jornalismo e da radio na Internet foram objecto de diversas apresentações, evidenciando a preocupação académica geral sobre as mudanças da comunicação social na nova era digital, bem como a mudança de paradigmas no espaço público. As novas potencialidades para a expressão minoritária e local mostraram estar no centro da problemática do espaço público, não esquecendo as transformações da linguagem e das funções dos comunicadores.

 

 

*A propósito das indústrias culturais e novas redes, apontaram-se as grandes potencialidades da era digital para desenvolver a economia, o emprego e o pluralismo nas regiões em desenvolvimento intermédio como Portugal, Espanha e América-Latina. Concluiu-se também que são necessárias novas políticas culturais de comunicação que

garantam a realização dessas possibilidades cruciais a nível local e regional, especialmente para construir o espaço ibero-americano vital para a sobrevivência das nossas identidades culturais. A Televisão Digital Terrestre mereceu destaque como suporte fundamental para estender a todos os cidadãos os benefícios da sociedade da informação, acentuando-se a exigência de que seja aberta e gratuita.

  

*No campo da formação e ensino, foi referida a necessidade de romper com o “gueto académico”, promovendo-se “competências de produção” para além das tradicionais “competências de reflexão”.

 

*A nível da cooperação defendeu-se o incremento das relações institucionais entre as universidades e centros de investigação e formação do espaço ibero-americano.

 
*Foi defendida a necessidade de se fortalecer o multi-culturalismo do espaço ibero-americano como forma de enfrentar os riscos da globalização.

 




 


Maia, 18/11/2002

Apoios ICAM/IBERMEDIA

Fundador da AssIBERCOM

prepara "Santa Liberdade"

Segundo notícia da imprensa, a sócia fundadora da AssIBERCOM-Associação Ibero-americana de Comunicação, Margarita Ledo, da Universidade de Santiago de Compostela, recebeu o apoio do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM), no âmbito do programa IBERMEDIA, para a produção do filme “Santa Liberdade”.
Trata-se de um trabalho sobre o desvio do paquete Santa Maria durante a ditadura de Salazar.

Henrique Galvão desviou para o Brasil o navio de passageiros Santa Maria, acto que teve grande impacto a nível internacional e que constituiu um duro golpe no regime ditatorial que se viveu entre 1926 e 1974.

Margarita Ledo, membro do Comité Científico do VII IBERCOM, falou deste seu trabalho durante a realização do congresso, nos dias 16-18 de Novembro, no ISMAI.

  
Música no Congresso

Com Alunos da Univ. de Aveiro

  

Grupos de alunos da Licenciatura em Ensino da Música da Universidade de Aveiro vão actuar no VII IBERCOM.

A primeira intervenção será na Sessão de Abertura e a segunda na Sessão de Encerramento.

Instrumentos de percussão e flautas darão assim outros tons aos temas em debate.

Programa

- Sessão de Abertura

 

Grupo Intrepercussão

LITTANY - Karel Goeyvaeters

OHKO - Iannis Xenakis

Músicos : Bruno Estima , Helder Roque e Pedro Fernandes

Professor responsável: Mário Teixeira

 

- Sessão de Encerramento

Quarteto de Flautas

Les Chats - Marc Verthomieu

Músicos : Vera Dias, Neusa Bettencour, Laura Figueiredo e Claúdio Figueiredo

 

Músico responsável : Lara Figueiredo

POEMANDO
Poemas ibero-americanos
Ditos por Júlio Couto.

Um recital de poesia dado pelo escritor e investigador portuense Júlio Couto vai encerrar os debates de domingo, às 16,30 horas, antes da visita ao Museu Nacional da Imprensa.

Serão poemas de vários escritores ibero-americanos, desde Neruda a Vinicius de Morais.

  
Passeio no Rio Douro
  

Tal como está no programa, os congressistas inscritos no VII IBERCOM vão desfrutar de um passeio fluvial, depois do encerramento dos trabalhos.

Será no barco VistaDouro, da empresa Douro Azul, com partida do Cais da Ribeira, às 15.30 horas.

No final do passeio, o barco atracará na margem esquerda, do lado de Vila Nova de Gaia, perto das Caves Porto Ferreira, para uma visita marcada para as 16.30 horas.

  
Assembleia
da AssIBERCOM
  

No quadro dos estatutos da AssIBERCOM, vão decorrer no dia 17 de Novembro, às 18.15 horas, assembleias devidamente convocadas pelo presidente da respectiva Mesa, Manuel Pares i Maicas.

Na Assembleia das 19 horas poderão participar tanto os actuais sócios como os novos sócios que se inscreverem na AssIBERCOM durante o Congresso.


VII IBERCOM

Porto (Portugal)
   

VII IBERCOM

CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE COMUNICAÇÃO
PRESS RELEASE  (12 Novembro)

O “Presente e Futuro das Profissões da Comunicação” é o mote do encontro que, entre 16 e 18 de Novembro, reúne em Portugal cerca de duas centenas de profissionais, especialistas e teóricos das diferentes áreas relacionadas com a comunicação, oriundos dos diferentes países de expressão ibérica e latino-americana.

Realizando-se pela segunda vez na Área Metropolitana do Porto, o IBERCOM atinge a sua VII edição e decorre desta vez no ISMAI-Instituto Superior da Maia, sob coorde-nação da AssIBERCOM e do CFJ-Centro de Formação de Jornalistas. A comissão organizadora é integra Luís Humberto Marcos/coordenador (AssIbercom/CFJ/ISMAI), Conceição Lopes (Universidade de Aveiro), Cristina Rebelo (ISMAI), Domingos Cruz (ISMAI) e Manuel Neto da Silva (CFJ/Universidade do Porto).

O objectivo deste encontro é lançar a reflexão alargada sobre o perfil das diversas actividades profissionais da comunicação no espaço ibero-americano, sobre o seu impacto social e potencial de inovação no quadro das exigências do Séc. XXI.

O evento vai desenrolar-se sob o formato de congresso, durante o qual funcionarão vários painéis e mesas-redondas integrados por participantes da Península Ibérica e da América Latina.

“Jornalismo/Media”, “Publicidade”, “Comunicação Organizacional”, “Multimédia”, “Profissões Emergentes”, “Indústria Cultural” e “Investigação da Comunicação” constituem os principais subtemas em análise.

 

A AssIBERCOM é uma associação sem fins lucrativos que foi criada no Porto, durante o V IBERCOM, tendo por meta primordial “o desenvolvimento das relações internacionais com vista ao estudo e à investigação nos domínios da Comunicação e das tecnologias da informação no espaço geográfico e lingüístico ibero-americanos”.

 

 

Para mais informações:

GIRP - Pedro Matos Trigo

tel. (351) 967 494 670

pedromatostrigo@yahoo.com

  
 AssIBERCOM
  

 
A AssIBERCOM-Associação está a organizar, em conjunto com o CFJ-Centro de Formação de Jornalistas, o VII IBERCOM, subordinado seguinte tema geral :

Inicialmente previsto para a Universidade Complutense de Madrid, o evento foi transferido para o Porto, estando marcado para os dias 16, 17 e 18 de Novembro deste ano, no ISMAI-Instituto Superior da Maia, entidade universitária situada nos arredores do 

Porto.

A exemplo do que aconteceu em 1998, aquando do V IBERCOM, então organizado pelo CFJ, pretende-se promover um debate alargado sobre preocupações de grande actualidade no campo da Comunicação em geral.

 

Neste VII IBERCOM pretende-se reflectir sobre o perfil das profissões da comunicação no espaço ibero-americano e o seu impacto social e potencial de inovação, no quadro das exigências do séc. XXI.

Será um encontro de três dias, organizado sob a forma de congresso, durante o qual funcionarão vários paineis e mesas redondas, estando inscritos mais de 200 participantes da Península Ibérica e da América Latina.

De acordo com o programa, os grupos de estudos integrantes do tema central são: Jornalismo/Media, Publicidade, Comunicação Organizacional, Multimédia e Novas Redes, Profissões Emergentes e Indústria Cultural.

 

O Comité Científico Ibercom é constituído pelos professores Eliseo Colón (Puerto Rico), Enrique Bustamente (Espanha), Javier Fernandez del Moral (Espanha), José Marques de Melo (Brasil), José Paquete de Oliveira (Portugal) , Manuel Parés i Maicas (Catalunha), Lucia Castellon (Chile), Marcial Murciano (Catalunha), Mário Mesquita (Portugal) e Margarita Ledo (Galiza).

 

Os encontros anteriores decorreram no Brasil, Barcelona, Porto e Santiago do Chile.

 

Os temas, as dezenas de comunicações já inscritas e as hipóteses de intercâmbio de conhecimentos com alguns dos principais investigadores do sector, no espaço ibero-americano, levam-nos a lançar o convite para a divulgação e inscrição nos trabalhos deste VII IBERCOM.

 

O presente e o futuro da Comunicação passam pelo VII IBERCOM.

 

 

 

 

 

 

Porto, 10 de Outubro de 2002

 

 

A Direcção

“I ENCONTRO IBERO-AMERICANO DE JORNALISMO CULTURAL”

 

Porto, 4-6 de Maio de 2001

Conclusões:

Poder-se-ia dizer que foi inconclusivo o debate sobre o jornalismo cultural que aqui nos reuniu, não fosse a carga negativa que o termo comporta. Mas se “inconclusivo” não significar não ter havido conclusões, antes que as conclusões a retirar de todas as valiosas comunicações e debates foram um ponto de partida da consolidação ou alargamento de um campo de estudo, então bem poderemos falar de uma reflexão que não se pode concluir aqui, mas reclama encontros posteriores.

Na abertura dos trabalhos, isto mesmo foi referido por Luís Humberto Marcos: “Há quem se interrogue sobre a existência ou não de um jornalismo cultural e certamente que, no final dos três dias de debate, as dúvidas continuarão. Isto significa que, da parte da organização, não há qualquer intenção purificadora nem de conceitos, nem de práticas. Queremos somente provocar o debate”.

A identidade histórica do jornalismo cultural foi o primeiro tópico dos nossos trabalhos. Mas logo na sessão de abertura o ministro da Presidência, Guilherme de Oliveira Martins, deu conta de uma inquietação que era aliás outro tema do encontro. Disse o ministro sobre o jornalismo cultural que ele não deve limitar-se à noção um pouco estranha e ambígua da produção de conteúdos, mas sim à noção efectiva de criação. Antes, referira-se à liberdade de imprensa e ao serviço público da comunicação social, afirmando que ela deve enraizar-se na vida democrática da própria sociedade e não ser imposta de cima para baixo pelo poder, tornando-se necessário compreender esta noção para proteger a liberdade de imprensa.

E o painel sobre a identidade e identificação do jornalismo cultural viria a versar problemáticas enunciadas também logo na abertura por José Marques de Melo, presidente da AssIbercom, ao afirmar que um jornalismo cultural é um espaço que pode transformar-se num instrumento da diversidade cultural: melhor compreensão das diferenças entre os povos e o respeito por essas diferenças.

Parés y Maicas referiu-se à noção de jornalismo cultural não sem constatar as poucas referências que obteve relativas a estudos sobre este campo específico, anotando todavia que uma das formas de fazer socialização (objecto de toda a informação) é através do jornalismo cultural.

Noções teóricas ou definições de cultura e jornalismo foram afloradas no painel, mas logo foram arredadas. No limite, como referiu Arnaldo Saraiva, com premonitória provocação por adivinhar que o caminho do debate não poderia cingir-se a isso; no limite, disse Saraiva, se bem pensar, não saberia distinguir cultura de jornalismo, e paradoxalmente nem saberia o que seja cultura e o que seja jornalismo...

Posto o que, os objectivos do debate foram postos: - no campo simples da atenção que os media dedicam às questões específicas da cultura e dos acontecimentos de áreas culturais, incluindo a cultura científica, como reclamou a presidente da Sociedade Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, Teresa Lago; - no desempenho, aptidões e formação dos jornalistas para noticiar, explicar e interpretar os factos e acontecimentos culturais.

Eduardo Prado Coelho balizou a questão. Assinalou a evolução da imprensa cultural no país do ante para o pós 25 de Abril de 1974, aludindo às páginas culturais como refúgio da intervenção política antes da Revolução até ao ganho de extensão e qualidade da informação cultural, de secções especializadas e de publicações específicas; registou a qualificação dos profissionais nos modos de dar notícias da cultura e da atenção mais afinada para o sentido dos factos e acontecimentos; sublinhou a vantagem da especialização na informação cultural, como de resto na informação desportiva, política, económica - se é que estas não são também cultura... - ironizou. “Hoje há problemas específicos da indústria cultural que exigem formação específica” e por isso são necessários preparação e profissionalismo. E exemplificou com o caso da edição hoje a cargo de multinacionais de conteúdos. E sobre o entendimento da noção de cultura e do seu papel defendeu que desde os anos 70 houve grande transformação: houve um processo de culturalização da vida social, uma economicização da vida cultural, um processo longo de questionamento da hierarquia cultural (antropologização da cultura: quase tudo é cultural...), houve a ideia de que a cultura dominante é posta em causa pela multiplicidade das culturas, apareceram múltiplas instâncias de legitimação da cultura. E tudo isto transformou o espaço da cultura. E daí a necessidade de preparação, de especialização, de profissionalismo dos jornalistas, para entender isto...

Mário Mesquita estabeleceu relações da escrita jornalística com a escrita literária, caracterizando os respectivos discursos e construção dos sujeitos dessas escritas, num ensaio sobre “a representação dos media nos diários dos escritores”. Partindo de páginas diarísticas de Torga, Régio, Virgílio Ferreira, José Saramago e Cristóvão de Aguiar ou de citações dos diários de André Gide, Thomas Mann, Phillipe Sollers e Edgar Morin, bem como de outros estrangeiros, em que referem ou tomam como ponto de partida para reflexão a actualidade veiculada pelos media. Mesquita estabeleceu e questionou diferenças que vão desde o ponto de vista da enunciação às marcas dos discursos e escritas, à objectividade versus subjectividade, confrontou linguagens e construção dos sentidos, a escrita de utilidade, informativa, e a escrita de criação literária, a confessionalidade ou construção da autenticidade, a construção do eu (ou pastoreio do ego) do diarista no discurso a partir dos relatos dos media e o enunciado ou discurso jornalístico voltado para a exterioridade, bem como tantíssimas noções: de temporalidades, precaridade, perfeição, efemeridade... para interrogar-se finalmente sobre o sentido das práticas diarísticas em voga na Internet que não sabemos se são formas de publicação ou ocultação, ou que outro sentido visem. Mas antes Mesquita anuiu que todo o jornalismo é um acto de cultura, é um conjunto de opções culturais; defendeu áreas específicas do jornalismo e que há uma concepção cada vez mais lata do que se designa área cultural.

A distribuição gratuita de jornais semanários, ao sábado em Campo Grande (Brasil, Mato Grosso do Sul), é um “happening” (dir-se-ia uma reportagem crítica) de como um jornalismo de proximidade (mesmo que às vezes de duvidosa validade, qualidade e critério informativo) contribui para a socialização. A reportagem crítica foi de Angela Catonio.Berta García Orosa centrou-se na escassez da informação cultural portuguesa na Galiza, a despeito do crescimento das relações nos últimos anos.

Ainda sobre a temática da identificação e história do jornalismo cultural, e nomeadamente a influência da hipermediatização sobre o trabalho jornalístico, foi oportunidade para Arnaldo Saraiva questionar a existência de um verdadeiro jornalismo cultural ou apenas de um eco da indústria que lhe está associada. Aliás, a dualidade crítico/jornalista seria abordada por Xavier Lama numa intervenção sobre “O jornalismo cultural na sociedade do espectáculo”, em que falou da alteração das concepções jornalísticas e defendeu como exemplo a seguir a organização de jornais de referência.Um caso prático foi-nos trazido pela repórter Ana Valéria Mendonça, com um extenso trabalho sobre os índios Kariris-Xocós e a cultura popular na imprensa brasileira. Indirectamente, ficou mais uma vez demonstrado que a concepção de jornalismo cultural está intimamente ligada à comunidade/nação a que respeita. Basta ver que o trabalho documental, publicado nas páginas culturais do “Jornal da Cidade”, seria em Portugal, muito provavelmente, destinado a outra secção.

O segundo painel do dia foi mesmo uma sequência lógica daquele tema, ao introduzir o debate sobre o estatuto e a dinâmica da “Cultura” no sistema organizacional dos media. Os casos concretos voltaram a análise com a apresentação de Lucia Castellón acerca do tratamento jornalístico do tema cultural na imprensa escrita chilena. O estudo das várias publicações num determinado espaço de tempo permitiu estabelecer os graus de relação entre este tipo de produção e um conceito geral de cultura.Na sequência, também Marques de Melo deu conta de um estudo sobre o tratamento dado ao carnaval brasileiro pelos órgãos de comunicação de diferentes países:

- ponto 1- a nudez como elemento natural e característico de uma cultura (eventualmente também de um clima) por contraponto à sua percepção à luz de princípios morais e religiosos, ou ainda a exploração em termos de imagem pelas publicações populares;

- ponto 2 - o relevo dado à violência associada ao carnaval pela imprensa estrangeira, quando afinal os índices de criminalidade não parecem ser substancialmente diferentes aos registados no Brasil no resto do ano.

A análise permitiu ainda reafirmar a falta de consenso em torno do conceito de cultura, motivada pelas perspectivas diferentes de cada comunidade.

Um outro exemplo objectivo foi o da Televisão da Galiza que, segundo José Durán, tem na cultura uma aposta assumida, não apenas como secção informativa, mas como elemento de formação e cimentador da identidade de uma comunidade. Daí a sua questão sobre o tratamento jornalístico da cultura de uma forma diferenciada e autónoma ou integrada no todo informativo. Questão que, segundo Mário Mesquita, constitui mesmo “o grande problema”, mas para o qual o próprio apontou a resposta: a coexistência das duas dimensões que garanta, simultaneamente, o tratamento aprofundado das temáticas culturais mas também que estas não fiquem confinadas a um gueto. Até porque - diria mais tarde - a sociologia do jornalismo (e a sua experiência pessoal) mostra que a divisão em secções ou editorias condiciona a produção informativa.

Entretanto, um certo balanço entre o debate objectivo sobre jornalismo cultural e a reflexão sobre a sua identidade - que manteve presença transversal neste encontro - levou Párez y Maicas a apelar a uma investigação mais pragmática do tema em apreço, bem como a uma ponte essencial que leve pelo mesmo caminho jornalistas e investigadores.

 

Céptico perante a concepção que alguns órgãos de comunicação aplicam de jornalismo cultural, Xosé Maria Palmeiro falou de índices de audiência, de marketing, de “sexo” e de “grátis” para de novo abanar aquela definição, tanto no que toca às formas como aos conteúdos, mas concluiu que apesar da confusão há que manter a esperança em que melhores dias estão para vir.Idêntico espírito manifestou Sérgio Jaguaribe, para quem, não obstante ser o marketing o grande problema da cultura, a agonia por essa via infligida ao jornalismo cultural não conseguirá ditar a morte deste.

Nem de propósito, António Valdemar divulgou aqui um dado do jornalismo cultural: a existência de uma história do jornalismo de língua portuguesa desde os seus primórdios no Século XVII até final do Século XVIII. Trata-se de um manuscrito inédito de Augusto Xavier da Silva Pereira que dedicou 30 anos a inventariar, estudar e descrever os jornais e outras publicações periódicas que surgiram em Portugal; no Brasil até à independência em 1822; nas ex-colónias de África e Oriente; e ainda em núcleos de emigração e diáspora portuguesa. E sugeriu que poderes públicos ou mecenáticos custeiem a edição da obra.

O painel sobre “As tecnologias da informação e comunicação e o jornalismo cultural” veio recentrar o debate na nova realidade. Pancho Tristán mostrou-nos um produto editorial on-line especificamente ao serviço do jornalismo cultural, enquanto Arnaldo Meireles apontou que, perante a evolução tecnológica, as linguagens são apenas reconstruídas, o que também representa uma cultura.No caso das novas tecnologias da informação e comunicação, nomeadamente da Internet, a democratização da informação cohabita com a redução da actividade cultural ao informativo, na medida em que cada vez sabemos mais coisas mas pouco de cada uma. Um dos desafios que se nos colocam é, assim, o de que a cultura é a sabedoria que conseguimos partilhar.

Outro desafio, mais polémico, foi suscitado pela definição de “jornalista-portal” introduzida por Maria Teresa Soto como resultado da nova forma de fazer jornalismo advinda da utilização das novas tecnologias. Na sua óptica, o jornalista de Internet será tendencialmente “um especialista em conteúdos que guia, orienta e selecciona a informação disponível”, mas sempre com objectivos de se constituir como “uma referência de segurança, confiança e credibilidade”.

Ainda a propósito das novas Tecnologias da Informação e Comunicação, Javier Fernández del Moral falou dos ruídos provocados pelo meio, considerando que os conteúdos culturais são os mais influenciados. Abordando por isso, novamente, as definições de cultura, jornalismo cultural e até de jornalista (diferenciando-o claramente do crítico), defendeu também a sua especialização. Tanto mais que informação especializada é divulgação contextualizada, não uma vulgarização, e, no caso de um público menos esclarecido, as exigências que se põem ao jornalista são ainda maiores. Especificou ainda que há uma tecnologia da informação entendida como a aplicação prática dos conhecimentos científicos da ciência da informação ou da comunicação.

Renato Aroeira contou-nos a experiência de vários anos em que a digitalização directa do cartoon substituiu o lápis e o papel, sublinhando que a Internet permitiu a democratização, não apenas do acesso à informação, mas também da divulgação da informação. O seu “jornalismo de um homem só” evidenciou essa facilidade, mas pôs igualmente em destaque a possibilidade da divulgação sem o jornalista profissional como interface.

A noção de galáxia digital como a que sucedeu à de Guttenberg e à de Marconi foi introduzida por Luís Humberto Marcos e descrita com a sua hipermediatização da realidade e a democratização do acesso, mas também com as exigências de maior e permanente formação do jornalista cuja profissão não está em queda mas em fase de relançamento. Competição e criatividade são outros dos desafios, de molde a que continue a ser possível distinguir informador de jornalista.

Nessa linha, e conforme parece dado assente que a mera transposição de um produto em papel para o suporte electrónico não resulta, Javier Fernández del Moral justificou que também o conceito de jornalista não pode ser directamente transposto para o profissional que recorre às novas tecnologias da informação e comunicação.

O enquadramento do painel sobre “Perspectivas futuras para o jornalismo cultural” estava, de resto, dado. Ivan Tubau voltou à ideia do que é cultura sob o ponto de vista jornalístico para reorientar o debate ao sintetizar que é tudo aquilo de que se ocupam as páginas culturais. “O juízo objectivo não existe, muito menos sobre as matérias-alvo do jornalismo cultural”, defendeu, afirmando além disso como rigorosas mentiras os pressupostos do jornalismo norte-americano: factos sagrados e livre opinião.Paralelamente, acrescentou a reflexão crítica sobre o facto de criador de jornalismo e criador de marketing se confundirem, até porque estudam na mesma universidade.

Neste painel, foi ainda apresentado um estudo académico de Carla Rodrigues Cardoso sobre “O lugar da cultura nas capas das “newsmagazines”. Analisando e comparando as chamadas dos temas culturais à primeira página, constatou que apenas 4 em 74 casos eram tema nobre e, mesmo assim, eram abordados pela negativa (crise na cultura) ou diziam respeito a espectáculos.A conclusão algo irónica foi a receita para fazer chegar os assuntos culturais à capa das revistas de informação generalista, que passa principalmente por dar-lhes um rosto masculino, um carácter de proximidade e o seu quê de sensacionalista.

Um outro caso objectivo divulgado neste encontro foi o Museu da Fundação da Imagem e do Som, em que Marília Barboza Silva revelou estarem à disposição três milhões de items da história brasileira. Incluindo 80 mil fotos do antigo Rio de Janeiro e quatro mil horas gravadas com depoimentos de personalidades lusófonas, este tesouro tem, paradoxalmente, dificuldade em tornar-se alvo da investigação jornalística e até do interesse público, mau grado a sua presença parcial na Internet, em livros e discos editados pela fundação.

O painel terminaria com mais duas intervenções sobre o jornalismo cultural numa perspectiva social. Artur Portela defendeu que o jornalismo é, em si mesmo, cultura e deve ser promotor de cultura. Por via disso, esta tem de, e pode, entrosar-se com os restantes objectos jornalísticos, até para evitar o risco do restante jornalismo fugir à cultura com a desculpa de que ela tem uma secção própria.

Da mesma forma, Eliseo Colón considerou que o jornalismo cultural não se encontra numa bola de cristal, precisamente por estar entrecruzado com os outros jornalismos, e alertou para que a visão de cultura não seja reduzida aos académicos e eruditos. Destacou, nesse sentido, que o jornalismo cultural deve apropriar-se das novas teorias sobre cultura que se têm desenvolvido a partir da discussão cultura / globalização /economia /política.

Quanto às perspectivas de futuro, concretamente, foi geral a recusa em fazer futurologia mas unânime a esperança de que o embate com as novas Tecnologias da Informação e Comunicação não representa um fim, antes uma etapa evolutiva do próprio jornalismo.

O último painel, o de hoje, levou-nos a reflectir sobre “Globalização Cultural e Intercâmbios Internacionais”.Frequentemente apontada como um destino trágico e inevitável, a globalização foi como que desmontada por Inês Pedrosa ao diferenciá-la de massificação. Como disse, a globalização é sim a reacção à massificação, pois permite exercer com mais rigor a capacidade crítica.

Por seu lado, Anamaria Fadul recordou que o termo globalização não é novo mas apenas tem uma nova actualidade, sintetizando o fenómeno da criação de ficção (essencialmente telenovelas) e a sua exportação. Fenómeno esse com especial interesse no que toca à migração do produto de países considerados do terceiro mundo para os chamados ricos, a par da maior procura de produção nacional, para o que preferiu falar em glocalização.

Mais uma vez a noção de cultura foi posta em causa mediante a comunidade a que diz respeito, e os intelectuais foram chamados de preconceituosos devido à análise diferente do lixo televisivo consoante tenha origem no terceiro mundo ou no primeiro.

Paréz y Maicas trouxe-nos hoje uma visão objectiva de jornalismo cultural e apresentou uma proposta de definição donde exclui a cultura científica e tecnológica, bem como outras culturas especializadas como a gastronomia. Deixou ainda uma defesa intransigente da manutenção dos órgãos de comunicação públicos como garante da regulação do mercado, perspectiva essa com mais pertinência ainda, face aos perigos da globalização/massificação.

As vantagens desta tendência do mundo de hoje foram, por outro lado, delineadas por Luis Alvarez Pousa, designadamente no que toca à deselitização da cultura e ao favorecimento de uma cultura universal, sem contudo prejudicar as culturas regionais.

Francisco Belard alertou, por sua vez, para o ritmo de mundialização que não é acompanhado pelo jornalismo cultural, e para a falta de intercâmbio, sobretudo no caso vertente do espaço lusófono e ibero-americano, que possibilitaria retirar as potencialidades benignas da globalização.

Por último, Eduardo Esperança retratou as hegemonias como resultado virtual do fenómeno, ainda que não deixando de reconhecer que se trata de “hegemonias heterogéneas”. Criticou ainda a estigmatização continuada da cultura em Portugal, mas concluiu com uma palavra de confiança na alteração de tal estado.

Assim fica sintetizado, palidamente e em largo vôo, o nosso encontro.

Assim fica concluída a conclusão inconclusa deste encontro.

As actas poderão dizer o resto, que fica omisso.

 

CFJ/M. Neto da Silva e Pedro Matos Trigo